terça-feira, 4 de novembro de 2014


Ainda sabia o seu corpo de cor, onde lhe tocar, o que a fazia arrepiar. Estava a mexer num corpo que outrora fora seu, que já lhe tinha pertencido, que menosprezou e que nessa noite só o queria de volta. 
Os olhos estavam vidrados nele, na sua pele, no seu rosto, nos seus olhos verdes e penetrantes. Ele estava vidrado noutra mas agora...apenas por agora focado nela. 
O passado levou tudo o que havia de bom para recordar e, naquele momento, só importava o desejo, a paixão, o prazer, o encontro de duas almas desalojadas. Deslizou a sua mão pelos seios da amante, percorreu o seu corpo, puxou-a para si enquanto a beijava.
Ela queria-o de volta...ele só pensava no instante em que a iria penetrar.
Entre gritos,gemidos, odores que se juntaram o caminho estava percorrido, aquelas almas entrelaçaram-se, amaram-se por momentos e desfizeram o laço que nunca as chegou a amarrar.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Enquanto o comboio não chegava...Ela sentou-se no banco da estação, acendeu um cigarro e começou a folhear um livro que trazia na sua mala. Estava com um ar cansado e triste, estava como o tempo, chuvoso e vazio.No último bafo do seu cigarro, lembra-se de como foi a sua última vez. A última vez que foi desejada, a última vez que foi amada, a última vez que a acariciaram sem ela ter dado nada em troca. Era feliz com a vida que levava, afinal para ela não existia destino apenas escolhas.Escolheu ficar só. Ao menos não se magoava, não dependia das emoções de ninguém e o que fazia era só para o seu próprio agrado. De vez em quando tinha recaídas é verdade, apesar de conformada pela sua vasta solidão às vezes queria que alguém pegasse nela e a trouxesse outra vez à vida.Afinal não fazia mal pensar que tudo podia ser diferente, se ela se entregasse mais...se se mostrasse mais...Não era exibicionista é verdade e o pouco que dava a conhecer eram como meras conversas de café. Resguardava-se não porque tivesse algo comprometedor mas não sabia entregar-se.